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                 Teu Riso

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
 
                           Pablo Neruda


Escrito por Lica às 07h35
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Tenho visto coisas

A menina senta comigo e deita a falar de outra, que isso, que aquilo e mais aquilo outro, cheia de razão. Eu, porque conheço quem estava sendo alvo dos comentários e não quero ser injusta, tento dar uma amenizada:

EU: Pô, se você tá insatisfeita vai lá e fala pra ela.
ELA: Não sou eu que vou falar!
EU: Mas fica aí de cara feia... de que adianta?
ELA: É pra ela se tocar!

E continua o show do milhão de reclamações até que a outra chega. Finalmente! Pois não é que o tom da conversa muda total, a menina que estava comigo a cumprimenta como se não estivesse até há pouco tocando o pau e fica toda animada????

Ui, que medo!



Escrito por Lica às 09h19
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E as aparências continuam enganando

Ontem foi a vez de rever meu amigaço Antônio depois de muitos meses sem papo e sem mais aquelas. Como era domingo e Floripa não tem nada pra fazer nesse dia, só nos restou ir pro shopping. (Bom, eu também queria comprar um corretivo... hehehehe)
Entre uma história e outra, olhamos vitrines, babamos como qualquer mortal e resolvemos dar uma parada pra conversar direito, afinal "nóis merece".  Ele, que não bebe, foi correndo comprar um milkshake e eu saí à caça de uma Malzibier. Achei no Texano Grill e o mais engraçado é que o garçom, quando trouxe a bebida, mesmo vendo meu amigo com seu milkshake perguntou se era pra ele. Mas como?! Ei, meu senhor, é pra mim! Olha aqui euzinha sem nada.
O cara ficou todo sem jeito e saiu com a bandeja embaixo do braço. E isso não foi a primeira vez e tem muitos gentis garçons que nem se dão ao trabalho de perguntar e já vão servindo tudo trocado, sem levar em consideração quem pediu o quê.
Incompetência? Despreparo? Acho que não. Voltamos àquela velha história dos estereótipos. Xi, minha gente, sinto que ainda vamos longe nesse assunto.


Não sei por que cargas d'água viemos embora falando do apego das pessoas à estampa, à casca. Aí foi tempo de ficar de cara. Com os que avaliam pelo tipo de roupa ou carro. Com os que perguntam primeiro sobrenome e endereço, para ver se a pessoa é de família "de bem". Com os que levam às últimas conseqüências o esforço de parecer mais ricos, mais bonitos, mais jovens, mais aquilo que não são de fato.
Aqui tem muito disso. Gente escrava da aparência em todos os sentidos e que, na maior parte do tempo, não tem o que dizer de interessante.
Abriu a boca e pronto! É uma desgraceira só. Mas anda de caminhonete, faz academia, freqüenta lugares da moda e olha pros outros com uma superioridade assustadora. Ah, pra que desejar outra coisa da vida, né?
Ironias à parte, eu posso com isso? Já me senti intimidada em outro carnavais; hoje acho graça e só. Nada mais a declarar.

Aqui na minha aldeia ninguém é melhor do que ninguém. E tenho dito.



Escrito por Lica às 15h55
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Escrito por Lica às 10h43
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