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Seja você quem for!
Movimento e reflexo têm lugar
especialmente para você,
é por você que o divino barco singra o divino oceano.
Seja você quem for: você é
aquele ou aquela
para quem a lua e o sol penduram-se no céu,
pois ninguém mais que você
é o presente e o passado.
Ninguém mais que você
é a imortalidade.

Walt Whitman



Escrito por Lica às 13h35
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Cecília Meireles


Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.


Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?



Escrito por Lica às 13h14
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Sossegue coração

sossegue coração
ainda não é agora
   a confusão prossegue
sonhos afora

   calma calma
logo mais a gente goza
   perto do osso
a carne é mais gostosa

Paulo Leminski



Escrito por Lica às 07h52
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                 Teu Riso

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
 
                           Pablo Neruda


Escrito por Lica às 07h35
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Tenho visto coisas

A menina senta comigo e deita a falar de outra, que isso, que aquilo e mais aquilo outro, cheia de razão. Eu, porque conheço quem estava sendo alvo dos comentários e não quero ser injusta, tento dar uma amenizada:

EU: Pô, se você tá insatisfeita vai lá e fala pra ela.
ELA: Não sou eu que vou falar!
EU: Mas fica aí de cara feia... de que adianta?
ELA: É pra ela se tocar!

E continua o show do milhão de reclamações até que a outra chega. Finalmente! Pois não é que o tom da conversa muda total, a menina que estava comigo a cumprimenta como se não estivesse até há pouco tocando o pau e fica toda animada????

Ui, que medo!



Escrito por Lica às 09h19
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E as aparências continuam enganando

Ontem foi a vez de rever meu amigaço Antônio depois de muitos meses sem papo e sem mais aquelas. Como era domingo e Floripa não tem nada pra fazer nesse dia, só nos restou ir pro shopping. (Bom, eu também queria comprar um corretivo... hehehehe)
Entre uma história e outra, olhamos vitrines, babamos como qualquer mortal e resolvemos dar uma parada pra conversar direito, afinal "nóis merece".  Ele, que não bebe, foi correndo comprar um milkshake e eu saí à caça de uma Malzibier. Achei no Texano Grill e o mais engraçado é que o garçom, quando trouxe a bebida, mesmo vendo meu amigo com seu milkshake perguntou se era pra ele. Mas como?! Ei, meu senhor, é pra mim! Olha aqui euzinha sem nada.
O cara ficou todo sem jeito e saiu com a bandeja embaixo do braço. E isso não foi a primeira vez e tem muitos gentis garçons que nem se dão ao trabalho de perguntar e já vão servindo tudo trocado, sem levar em consideração quem pediu o quê.
Incompetência? Despreparo? Acho que não. Voltamos àquela velha história dos estereótipos. Xi, minha gente, sinto que ainda vamos longe nesse assunto.


Não sei por que cargas d'água viemos embora falando do apego das pessoas à estampa, à casca. Aí foi tempo de ficar de cara. Com os que avaliam pelo tipo de roupa ou carro. Com os que perguntam primeiro sobrenome e endereço, para ver se a pessoa é de família "de bem". Com os que levam às últimas conseqüências o esforço de parecer mais ricos, mais bonitos, mais jovens, mais aquilo que não são de fato.
Aqui tem muito disso. Gente escrava da aparência em todos os sentidos e que, na maior parte do tempo, não tem o que dizer de interessante.
Abriu a boca e pronto! É uma desgraceira só. Mas anda de caminhonete, faz academia, freqüenta lugares da moda e olha pros outros com uma superioridade assustadora. Ah, pra que desejar outra coisa da vida, né?
Ironias à parte, eu posso com isso? Já me senti intimidada em outro carnavais; hoje acho graça e só. Nada mais a declarar.

Aqui na minha aldeia ninguém é melhor do que ninguém. E tenho dito.



Escrito por Lica às 15h55
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Imagem do dia



Escrito por Lica às 10h43
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Adeus, Rapunzel!

Aqui chega ao fim mais uma superaventura minha. Amanhã de manhã, sem pedir um café para nós dois, estarei dizendo adeus aos longos caracóis castanho-escuros. Deu, né? Foi bom enquanto durou, agradou a uns, causou estupefação em outros, foi o que tinha que ser: mais uma experiência na minha vida. Valeu e acabou.
Acontece que eu não me reconheci em nenhum momento, não consegui aprender a gostar do look e senti saudades dos meus cabelos fininhos e curtos. Isso sem contar que esses trecos estranhos na cabeça dão muito trabalho. No meu caso estava com o couro cabeludo sempre dolorido e a cabeça coçando com freqüência, numa incomodação além do que poderia aturar.
No auge da piração/ansiedade, quis passar logo máquina no cabelo, o que não seria exatamente uma novidade - pra mim-, pois já tive a audácia em 1999. Ficou... diferente. Agora não vou fazer desse jeito porque arranjei quem tire o perucão sem levar meu couro cabeludo e os desmilingüidos cabelos que restaram.

É isso.
A partir de amanhã, portanto, Rapunzel não mora mais aqui. Volto a ser Alline, com muito prazer.



Escrito por Lica às 17h10
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Ô cabeça!

Tô indo embora, com vento batendo na cara e pensando em passar na academia e deixar o pagamento do mês. Na esquina, onde tem um botequinho, duas moças estão entrando no carro. Suspense. Elas me olham como se me conhecessem, uma delas me encara. Mas eu... bem, talvez as tenha visto em algum lugar do passado, não sei bem. Busco no banco de imagens e nada.
A de óculos me chama - ela sabe meu nome! Eu bem que gostaria de sair à francesa e fazer que não é comigo. Como ela repete "Alline?" e espera que eu pare para conversar, é o que eu faço, ainda que com receio. Deus do céu, quem são elas?
Aos poucos os rostos vão se tornando mais familiares, só que os nomes... sou péssima pra isso. Elas falaram do meu cabelo novo, patati e patatá, elogiaram, etc. e então perguntaram da minha mãe.
Ah tá, agora sim.
São as moças da loja em que minha mãe compra produtos dietéticos! Por que não falaram logo, garotas? huahuahuahua

Chego em casa e conto pra mãe. Ela diz o nome das ditas cujas, que são duas superfofas. Claro, mãe, a... e a....
Ops! Tilt de novo!!!
Pensa que hoje eu lembro do nome delas?????????????????



Escrito por Lica às 09h33
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Quem procura acha (algum dia...)

A história tava quase se perdendo, mas meu fiel escudeiro Jan lembrou a tempo. Eu não disse que a gente ri junto? Pois vou contar uma: estávamos nos preparando para voltar para casa na segunda-feira, depois do fim de semana a dois. Tudo ia bem, roupinhas na mala e tal, até bater aquele aperto que só o número 2 dá. Corre, amor, corre! E ele foi pro banheiro. E eu fiquei lavando a louça do café, porque essas coisas de banheiro exigem total privacidade. Não demorou muito e ouvi gritos vindos da janela do banheiro. Foi mais ou menos assim:

Ele: Alliiiiiiiiiine, não tem papel!
Eu: Ai, só um pouquinho... (lembrando que tinha usado o último pedacinho mais cedo... hehehehe)

Corri pelo apê num abre e fecha de portas que só vendo. Em território estranho o negócio é vasculhar tudo. O pior é que passei os olhos pelos armários da cozinha, abri gavetas, espiei aqui, ali e acolá. Cadê a merda do papel higiênico? Pior é que tinha a impressão de ter visto um pacotão em algum lugar. Mas qual?
No desespero de causa, na ânsia de salvar meu amado de ficar com a bunda suja, puxei a toalha de papel decorada com vaquinha e uns guardanapos minúsculos e marchei rumo ao banheiro. Aí começou a esculhambação - eu não parava mais de rir. Ficava pensando no ridículo de limpar a bunda com a vaquinha, e ria mais, e mais (e o coitado lá dentro, aflito, sem saber do que eu ria).

Ops, entrada proibida! Enfiei a mão pela fresta aberta e deixei os negócios em cima da pia.
Eu: Usa isso aí!
Ele: Tu não achou o papel?
Eu: Hum... não. Pera aí que vou procurar. (saí rindo ainda mais... hihihi)

Isso se encaixa perfeitamente numa das Leis de Murphy - quando você não precisa mais da coisa acaba dando de cara com ela. Fui direto no armário da área de serviço e achei o saco com seis perfumados rolos. Putz!!!

A vaquinha é que fez sucesso e nós ainda rimos um monte depois. Cercados de rolos de papel higiênico, o que mais nos restava?



Escrito por Lica às 17h44
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Feriado com algo mais

Passei bem, obrigada. Nem bola pro tempo ruim, que ficou do lado de fora. Sem chance, meu caro. Não fiz esforço pra esquecer da vida empoleirada na cama vendo filmes e curtindo meu amor.
Comemoramos um ano MARAVILHOSO juntos no sábado. Foi essencial muito respeito pra relação engrenar, claro. E muita aceitação também. Ele tem os seus silêncios; eu às vezes solto meu lado tagarela e chego a ficar com dor de garganta de tanto falar (!!!). Ele é mais paciente; eu não consigo esperar muito sem morrer de ansiedade. É bem assim mesmo: nós somos companheiros nas diferenças e nas afinidades e temos o riso a nosso favor. Gosto disso, sabia? De estar com alguém que ri comigo, que não se estressa com celulite ou com minha queda pelo consumismo, que tem um abraço aconchegante, não se importa de lavar a louça e me acompanha nos filmes românticos de vez em quando.

Resumo da ópera: tô feliz.
Precisa mais?



Escrito por Lica às 13h42
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Leis de Murphy

Lei do esparadrapo: Existem dois tipos de esparadrapo - o que não gruda e o que não sai.

Lei da atração de partículas: Toda partícula que voa encontra sempre um olho aberto.

Lei da administração do tempo: Tudo leva mais tempo do que todo o tempo que você tem disponível.

Lei da procura: O modo mais rápido de encontrar uma coisa é procurar outra. Você sempre encontra aquilo que não está procurando.

Lei da telefonia: Quando te ligam - se você tem caneta, não tem papel. Se tiver papel, não tem caneta. Se tiver ambos, ninguém liga. Se você ligar para um número de telefone errado, ele nunca estará ocupado. Parágrafo único: Todo corpo mergulhado numa banheira faz tocar o telefone.

Lei da gravidade: se você consegue manter a cabeça enquanto à sua volta todos estão perdendo a deles, duas coisas podem estar acontecendo - provavelmente você não entende a gravidade da situação ou você já sabe em quem pôr a culpa.

Lei da experiência: Só sabe a profundidade da poça quem cai nela.

Lei das unidades de medida: Se estiver escrito "tamanho único" é porque não serve em ninguém.

Lei das filas e engarrafamentos: A fila ao lado sempre anda mais rapidamente. Obs.: Não adianta mudar de fila. A outra é sempre mais rápida.



Escrito por Lica às 14h16
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Apnéia forçada

Ah não, lá vem aquela figurinha resfriada espirrar no meu cangote quando tô na fila das Americanas, mortinha de calor. Parênteses necessários e deseperados: cadê o ar-condicionado da loja? Isso é que é um tremendo espanta-cliente!

Em todo caso, tenho uma sugestão para se livrar da chuva de vírus: pare de respirar. São só alguns segundos sem ar circulando nos pulmões, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo. Aí dá tempo dos bichinhos se espalharem no ambiente enquanto você vai ficando roxo, verde, azul, um arco-íris completo... hehehehehe
Pode não ter efeito nenhum, mas proporciona (chique, né?) um alívio psicológico incalculável e você ainda volta para o seu lar, doce lar sem a sensação de ter sido apanhado pelo inimigo.



Escrito por Lica às 10h26
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EDIÇÃO LIMITADA, REVISTA E MAQUIADA

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Escrito por Lica às 16h24
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UMA QUESTÃO DE COSTUME?

Cheguei, finalmente. Jesus Cristinho, a operação upgrade no cabelo não foi moleza, não. Nem dormi direito - só pra se ter noção de a quantas andava minha ansiedade. Nesse processo de não fazer idéia do resultado e expectativas 1.000, quase fui atacada por uma dor de barriga de última hora. Só me faltava...

8:30 - já em frente ao salão, com meia hora de antecedência. O salão? Fechado. Eu apreeensiva, tentando me distrair com as tirinhas do Calvin. Só acreditei que não era um trote quando a dona apareceu e a porta foi aberta. Meno male. Sentei e fiquei no canto, esperando, esperando.

9:10 - chegou a moça do megahair com sua malinha preta. Antes de começar, uma ida ao banheiro para aquele xixi provindecial de quem tão cedo não poderia se levantar da cadeira.

9:15 - sessão de fotos para o ANTES. Muito tensa. O fotógrafo me pediu para relaxar. Como?!

E lá fui eu para uma aventura de seis horas de cadeira. Não comi nada, não bebi nada, acho que a certa altura até esqueci disso. Ia passando as mechas que estavam no meu colo para a moça e só depois de muito tempo tive coragem de me olhar. Que visão estranha! Uma versão mais cabeluda começava a se desenhar, mecha a mecha, no espelho. Eu só torcia pra acabar logo e nem comi o calzone que meu namorado trouxe.

Quando acabou aí sim ganhei um pacotinho de Club Social e devorei tudo antes de começar a maquiagem. Putz, não tava a fim de me maquiar, mas fazia parte do pacote e não me restou outra escolha - aceitei tudo de olhos fechados.

Fiz a foto para o DEPOIS e saí atrás da minha vida outra vez.


Minha mãe diz que a gente se acostuma com tudo nesta vida. Será? Ainda me sinto um ET com cabelão. E porque não tô acostumada pareço uma exibida, daquelas que ficam jogando o cabelo pro lado o tempo todo pra fazer charme. Nada! É que ele cai no rosto, atrapalha, é estranho.

Acho que ainda tô sob o impacto, não me reconheço. Foram muitos anos de cabelo curto, alguns pouco com cabelo pelos ombros, mas nunca - jamais - com ele batendo nas costas.

Falta acertar a cor. De resto, todo mundo reparando em mim como nunca. E eu me olhando no espelho e perguntando: quem é você aí, cara-pálida?



Escrito por Lica às 14h57
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